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Divã MSA: Depressão, não permita que ninguém faça isso com você.

capa depre correta

Há uns anos atrás sofri um dos maiores golpes do destino. Eu senhora de mim realizada profissionalmente, no auge não imaginava que o mês de setembro guardava a bomba relógio que mudaria a minha vida! Depois de alguns meses sendo submetida a uma imensa pressão no trabalho e conviver com um chefe que sugava a minha alma e era insuficientemente capaz de liderar, meu rendimento começou a cair, meu corpo dava sinais, eu não comia direito, o horário de almoço? Tecnicamente era uma hora, mas na prática mesmo de 15 a 30 minutos e olha lá , almoço era banquete a rotina ficava por conta do barzinho na esquina, 1 Salgado + 1 refri porque era mais rápido e lá ia eu subindo as escadas correndo para adiantar o serviço. Existia um regulador de ponto que funcionava na teoria (uma beleza), mas na prática mesmo, a pressão que vinha de cima era que realmente indicava os horários. Não estava certo, (eu sabia) mas eu amava meu trabalho, precisava de dinheiro, não queria perder o rendimento, enfim … Eu achava normal. Até que um belo dia o meu corpo me parou, eu desmaiei ali mesmo na frente de todo mundo. Meu amigo do lado, sempre cordial e prestativo me levou ao hospital, chegando lá o diagnóstico: “Você precisa de um psiquiatra” disse a médica delicada e simpática. Pronto! Meu mundo acabou, estou louca? Eu não aceitava , não assumia, pensava que eu era de ferro. Mesmo com um atestado médico fui trabalhar. Resultado? Aquele calafrio, desespero, sensação de impotência, medo de morrer sem nem ter algum risco se quer, um pavor, um desespero quase que involuntários só de ouvir a voz do meu chefe! Depois de uns dias quando vi que não dava mais pra aguentar, resolvi então tentar o psiquiatra. Na primeira consulta, ele me apavorava, eu tinha medo até dele, na minha cabeça ele era um espião do meu trabalho e eu não queria contar muita coisa não, mas eu consegui. Foi então que ele me diagnosticou:pânico e depressão em graus elevadíssimos. Um quadro que precisava de um longo tratamento. O pior : eu precisava de mim, e eu não estava ali por mim. Como eu ia me ajudar se a única coisa que eu pensava é que eu ia morrer ? Como eu ia pagar as contas dali pra frente se eu ficasse sem trabalhar? Como … Como? De atestado médico longe do trabalho foi ainda pior, eu recebia diariamente a informação de que meu “querido” chefe monitorava minha vida 24hs e gritava aos 4 ventos que eu era uma grande farsa, putz, foi difícil viu! Eu ali, tomando um monte de medicamentos, lesada total, e ele lá colocando em prática a liderança da pressão, do pré julgamento! Isso me deixava mais pirada ainda e eu mesma muitas vezes me questionava sobre o que sentia/vivia. Olha, foi uma barra… Foram meses passando mal só de passar na frente das filiais da empresa, muitos medicamentos, muitas visitas ao médico. Muita vergonha por ser diagnosticada com depressão e pânico (sim a maioria das pessoas sentem isso, e a sociedade diz ser uma grande frescura dos tempos modernos).Muitas coisas aconteceram no meio do caminho (muitas mesmo), algumas delas ainda nem consigo falar e tenho desespero só de lembrar, muitos julgamentos…. Uma luta solitária, uma não aceitação própria que chega a doer e às vezes dói mesmo, até que se manifesta em forma de choro desesperador! Medo inclusive do escuro, a personalidade muda, a gente muda… Confesso que nos últimos 2 anos tocar esse blog foi uma prova de fogo, o psiquiatra dizia: ele te faz bem! Mas meu ex chefe aquele que me vigiava 24hs tinha mais combustível pra dizer que eu inventava doença, como se fosse muito legal passar por isso! Hoje, às 00:18 aqui colocando no meu bloco de notas esse desabafo solitário e conseguindo me expressar, eu choro de alívio por ter me livrado daquele inferno astral em que eu permiti a empresa através de um chefe despreparado me colocar. Choro também de alívio por estar tendo coragem de contar, mas também lamento a ansiedade de reencontrar, voltar a ser pra mim quem eu era, voltar a não ter medo da vida, das pessoas, da morte, você deve estar se perguntando: mas não acabou? Ainda não. Mas está quase eu sinto! Eu busco eu luto, tenho recaídas, me levanto, ainda não consigo passar na frente da empresa, e me desespero quando lembro de alguns assuntos, mas já tenho mais tranquilidade em tocar a minha vida, em alimentar o blog, em fazer de conta que está tudo bem! E por que resolvi escrever isso aqui? Como mais um passo de coragem pra mim e para milhares de pessoas (principalmente mulheres) que permitem chegar nesse ponto, permitem que as pessoas as rotulem, acabem com sua paz, carreira, etc. Para dizer que eu tentei segurar o rojão nesses últimos 2 anos mas agora minha consciência pede que eu pegue leve. Leve nas cobranças , leve no rendimento, leve pra ser leve.

Hoje ao conseguir olhar pra dentro de mim eu enxergo o tamanho da ferida sendo cicatrizada, a luta constante comigo mesma pra sair desse lugar que eu entrei por não entender os sinais. Sendo ligada a uma grande rede de pessoas eu não poderia deixar de ser sincera e dizer a você que obedeça os sinais, respeite seu corpo, escute seu coração e acima de tudo fique atento ao que Deus está tentando te mostrar. A vida é muito preciosa e ao mesmo tempo muito curta para permitirmos que um trabalho, uma pessoa, ou uma situação roube a nossa paz! Eu não fiz isso a tempo, e sair desse lugar em que eu fui parar é extremamente complicado, mas eu vou chegar lá, to quase! E se eu tivesse que me dar um conselho hoje? Com certeza olharia no espelho e diria em alto e bom tom: não permita que ninguém faça isso com você.

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